Campos de Cima Irene Antonietta Rosé 2014

Campos_de_Cima_Irene_Antonietta_Rose_2014Queridos amigos do blog, garanto-lhes que o vinho de hoje pode ser considerado um marco na viticultura brasileira. Explico: encontrar um vinho rosé nacional já é uma tarefa difícil – por aqui, infelizmente por preconceito, creio, temos poucos vinhos rosés. Uma lástima, diga-se de passagem. E se a tarefa for encontrar um bom exemplar rosado então, nem se fala – às vezes já é difícil até mesmo encontrar um rosé interessante entre os importados – e eis que quando encontramos, os preços acabam por ser elevados na grande maioria das vezes. Pois bem: aqueles que, assim como eu, apreciam um belo vinho rosé, já podem comemorar.

A Vinícola Campos de Cima lançou recentemente este belo exemplar, batizado de Irene Antonietta – em homenagem à avó materna da proprietária da empresa, Hortência Ravache Brandão Ayub. O rótulo é um assemblage da safra 2014, elaborado à moda de Provence com uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, provenientes da região da Campanha Oriental – mais precisamente dos arredores de Itaqui, onde a vinícola tem seus vinhedos. À exemplo do ótimo Viognier que comentamos outro dia (relembre) este rosé também foi elaborado sob supervisão do enólogo francês Michel Fabre. A produção é limitada a tão somente 1600 garrafas, numeradas – abrimos a de número 319. Vamos ao líquido:

Em taça mostrou coloração de casca de cebola,  clara. Aromas delicados mas muito agradáveis e complexos.  Notas frutadas lembrando frutos vermelhos frescos,  framboesa e leve tangerina, além de uma certa lembrança floral e de notas herbáceas.  Em boca é ainda mais interessante,  com uma acidez que poucas vezes percebi em um vinho: intensa, mas na medida e marcando o paladar. Notas frutadas confirmado o olfato.  É leve e muito refrescante,  macio de beber e muito agradável,  embora ainda tenha estrutura e untuosidade para acompanhar pratos como saladas, peixes (salmão cairia super bem) e risotos. Álcool a 13%,  sem incomodar.  Final marcante e muito correto, sem amargor ou quaisquer defeitos.

Um vinho maravilhoso – não tenho outra definição. Merece e vale a pena ser provado. Quem sabe não estejamos diante do nascimento de uma nova etapa de nossa enologia, com belos e fascinantes rosés? Tomara!

Quanto custa? Segundo informações da assessoria de imprensa da vinícola, o rótulo será comercializado por cerca de 40 reais. O preço é muito atrativo para um vinho com esta qualidade e bate muitos importados até mais caros – lhes asseguro.

Saúde a todos!

Nota: este vinho nos foi gentilmente enviado pela vinícola para degustação

Bacalhoa Catarina 2010

Bacalhoa_Catarina_2010

Amigos, confesso que este vinho foi uma compra no escuro, totalmente. Nunca havia ouvido falar dele e nem tinha indicações positivas. Mas, um dia desses, estava eu navegando na internet pelo site da Wine – ainda bem organizado, por sinal – procurando vinhos brancos portugueses interessantes. Tenho uma imensa curiosidade em conhecer cada vez mais os vinhos lusitanos – que por sinal, quase sempre fazem muito sucesso aqui em casa.

E então nesta pesquisa pelo site encontrei este exemplar, que me chamou a atenção. Um assemblage com uvas da Península de Setúbal, uma das mais tradicionais regiões vitivinícolas portuguesas, elaborado com três castas:  Fernão Pires, Arinto e Chardonnay. Segundo informações que pesquisei, o vinho é parcialmente fermentado em barricas de carvalho. Vamos ao líquido:

Em taça mostrou coloração amarelo claro dourado, muito vivo.  Aromas de boa intensidade com muitas frutas brancas cítricas lembrando lima, maracujá e certo damasco.  Há ainda um toque herbáceo leve lembrando grama e um pouco de anis.  Em boca tem acidez  mais discreta do que o esperado. A sensação cítrica fica mais evidente no final, em conjunto com certa potência que marca o paladar – em função dos 13,5% de álcool.  No geral o vinho tem boa estrutura, é macio e envolve o paladar, com leve lembrança mineral presente.

Um vinho muito interessante e que recomendo. E tem vocação gastronômica: bebê-lo sozinho pode torná-lo um pouco cansativo e difícil de apreciar. A harmonização com um tradicionalíssimo bacalhau é uma ótima pedida (lamento por não tê-lo degustado assim).

Quanto custa? O produto está em falta no site da Wine, infelizmente, mas na época devo ter pago um pouco mais de 50 reais.

Saúde e bom final de semana a todos!

Cabal Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2008

Cabal_Gran_Reserva_Cabernet_Sauvignon_2008

Amigos, adquiri esta garrafa do Cabernet Sauvignon a algum tempo atrás – coisa de uns dois a três anos – no intuito de guardá-la para experimentar em um momento futuro. Explico: quando degustei o rótulo na primeira vez achei o vinho muito interessante, mas tive a impressão que necessitava de tempo em garrafa para ficar mais redondo e amável ao paladar. Queria ter esperado um pouco mais; mas, sabem como é, um dia olhei a garrafa e ela me olhou… aí não teve jeito (risos).

Serei franco com os amigos leitores: pouco sei sobre as características deste vinho, além do fato de ser um rótulo de guarda, com passagem por carvalho. Isto porque o site da vinícola San Carlos (sancarlossud.com) estranhamente não está funcionando. O curioso é que já tivemos por aqui outro exemplar interessante desta vinícola, um Malbec (relembre); e, de fato, percebi através daquele post que diversas pessoas tinham dificuldades em adquirir os produtos deles. Será que a vinícola não mais existe? Se alguém souber de alguma informação, fique à vontade em deixar um comentário!

Bueno, como principal objetivo deste blog sempre foi e sempre será registrar minhas experiências pessoais neste universo tão fascinante, eu não poderia deixar de publicar aqui minhas impressões com respeito ao rótulo, independente do vinho ainda ser ou não ser comercializado. Então vamos ao líquido:

Mostrou em taça uma cor rubi bem escuro com bordas violáceas. Aromas muito agradáveis, de boa intensidade e complexidade. Frutos negros como amora, notas de madeira e algumas lembranças herbáceas lembrando funcho e anis compõe o conjunto.  Em boca é um vinho de ótima estrutura e corpo mais para médio. Acidez leve. Taninos bem arredondados e integrados ao conjunto. Macio e bom de beber. Final potente, com leve mentolado.

Bela experiência. Bebemos sem comida mas com certeza tem estrutura para acompanhar pratos encorpados.  A guarda poderá lhe fazer bem ainda por mais um ou dois anos, mas quem tiver um em casa já pode bebê-lo, sem medo de ser feliz.

Quanto custa? Acredito que na época paguei algo na faixa de 85 reais. Valeu a pena.

Saúde!